Perguntas e Respostas


Infertilidade: Quando o casal, após um ano de relações sem tomar medidas de proteção não conseguiu uma gravidez. Atualmente deve se evitar o termo esterilidade, pois dá a conotação de irreversibilidade absoluta.
De forma geral infertilidade conjugal atinge cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva.
Podem ser tanto de caráter social como clínico. Entre as primeiras, podemos citar a idade avançada e as consequências devido ao estilo de vidas das pessoas (obesidade, tabagismo, álcool, drogas e excesso de trabalho). As principais causas clínicas são: fatores masculinos (30%), fatores tubários e endometriose (30%), fatores ovarianos (20%), fatores associados (20%), infertilidade sem causa aparente (10%). Miomas e pólipos uterinos são causas raras de infertilidade conjugal e estão mais relacionados aos abortamentos.
Não sabemos qual a influência que os transtornos emocionais podem ter na reprodução. O stress associado a reprodução deve ser tratado porque deteriora a qualidade de vida do casal. A maturidade física e psíquica da mulher faz com que a idade ideal para ter filhos seja entre os 20 e 30 anos. Mas, hoje em dia, os casais decidem ter filhos tardiamente, devido em grande parte à integração da mulher no mercado de trabalho. A partir dos 35 anos a fertilidade feminina diminui sensivelmente e a partir dos 45 a possibilidade de gravidez é remota.
Em 35% dos casos o fator masculino é responsável pela infertilidade conjugal: alterações testiculares, obstrução dos ductos, afecções da próstata ou do epidídimo, alteração na ejaculação ou ereção e uso de medicamentos e drogas. Estas alterações, de alguma forma, alteram a qualidade seminal (concentração, motilidade ou morfologia dos espermatozóides) e também podem levar a alterações na fita do DNA que o espermatozóide carrega (fragmentação do DNA). Outros 35% devem-se a causas femininas como: menopausa precoce, endometriose, obstruções ou lesões das tubas uterinas, anomalias uterinas ou problemas ovulatórios (como a Síndrome dos ovários policísticos). Os 30% restantes devem-se a causas desconhecidas ou combinadas, em que tanto a mulher quanto o homem apresentam alterações que dificultam a gravidez. Nós preferimos falar sempre das causas conjugais porque independente de qual for o problema, a colaboração dos dois membros é fundamental.
Pressupondo em ciclo menstrual normal de 28 – 30 dias, a ovulação ocorrerá por volta do 14º ao 16º dia do ciclo. Por volta do período ovulatório, a observação dos sinais secundários da ovulação é importante, pois auxilia na detecção do período fértil. Neste período, a mulher pode perceber que a lubrificação vaginal aumenta (o muco cervical fica filante, semelhante à clara de ovo) e no momento da ovulação pode sentir dor tipo cólica (leve).
Logo após a ovulação, o óvulo permanece viável para ser fertilizado na tuba uterina por, aproximadamente 24 horas. E é só durante esse período que pode ser fecundado pelos espermatozóides, cujo poder fecundante geralmente dura 72 horas. O ideal para um casal conseguir uma gravidez seria manter relações sexuais 2 – 3 vezes por semana, assim, todo período fértil estará coberto.
Na maioria dos casos, existe tratamento adequado. Os casos de maior complexidade são: no caso do homem aqueles que exigem extração de espermatozóides do testículo (azoospermia devido à falência testicular) e, no caso da mulher, quando não há produção de óvulos com a utilização dos indutores a ovulação (falência ovariana).
Após um ano de relações sexuais regulares, sem uso de método contraceptivo, em que não ocorreu a gravidez, o casal deve procurar ajuda de um especialista em reprodução assistida para iniciar uma investigação conjugal. Em mulheres com mais de 35 anos o prazo recomendável é após 06 meses e não de 01 ano. Histórico de endometriose, irregularidade menstrual, ou casais que já têm um diagnóstico de alterações masculinas ou femininas no aparelho reprodutivo, a busca pelo especialista deve ser imediata.
É um centro médico especializado na investigação e no tratamento das causas de infertilidade conjugal utilizando profissionais específicos altamente capacitados e as mais modernas tecnologias de reprodução humana.
A primeira consulta é muito importante, pois será avaliado de maneira completa o casal através de anamnese, exame físico e exames complementares específicos (espermograma, ultrassonografia, histerossalpingografia, exames hormonais como TSH, prolactina, AMH, FSH, etc.).
Além do fator que está impedindo a gravidez, o tempo de infertilidade e a idade da mulher são determinantes na escolha da melhor opção de tratamento.

Até pouco tempo atrás, a infertilidade conjugal era tratada e vista como um problema exclusivamente relacionado às mulheres, tendo os homens pouco ou nenhum envolvimento com a situação. Atualmente, sabemos que o papel do homem no casal infértil é tão importante como o da mulher, sendo o homem portador de uma alteração que leva a infertilidade em até metade dos casais que procuram tratamento. Dessa forma, a investigação do homem por um médico urologista é tão necessária quanto a da mulher e deve ser realizada ao mesmo tempo.

Varicocele:

A varicocele é uma das causas mais comuns de infertilidade masculina ocorrendo em ate 40% dos homens avaliados nos centros que tratam infertilidade conjugal. A varicocele é uma dilatação do conjunto de veias que drenam o sangue utilizado pelos testículos (plexo pampiniforme). Essa dilatação é causada por uma inversão na direção do sangue nestas veias, ou seja, o sangue ao invés de subir pelas veias desce de volta ao testículo. Esse acúmulo de sangue usado (venoso) no testículo causa alterações na produção dos spz que causam diminuição na qualidade e na capacidade de fertilização do óvulo. As alterações na qualidade dos spz são detectadas inicialmente no espermograma (análise seminal), através da constatação de mudanças na forma dos spz (morfologia alterada), diminuição da quantidade de spz (concentração) e/ou da movimentação (motilidade). O diagnóstico da varicocele é realizado no exame físico na inspeção e palpação do cordão inguinal, uma vez que estas veias podem ser visíveis ou palpáveis na bolsa testicular. O tratamento da varicocele é cirúrgico quando é realizada a ligadura das veias dilatadas, interrompendo o refluxo de sangue usado aos testículos. Nessa cirurgia é utilizado microscópio para a correta identificação das veias, artérias e linfáticos com o objetivo de ligar somente as veias. O controle é feito após três, seis e até nove meses após a cirurgia, respeitando o tempo de produção de “safras” novas de espermatozoides, após a correção da varicocele. O tratamento, em média, vai causar melhora do sêmen em até 60% dos pacientes e gravidez em até 40% dos casais.

Infecções:

As infecções do trato genital podem causar alterações nas vias de saída, devido a sequelas no processo de cicatrização ou na função dos espermatozóides causada por acúmulo de substâncias tóxicas. São valorizados os sintomas atuais do paciente bem como o antecedente de doença sexualmente transmissível. O diagnóstico é feito através da análise seminal e confirmado com a coleta de cultura e pesquisa de bactérias no sêmen e na urina. O tratamento é realizado com antibiótico específico para a infecção existente.

Congênitas:

Alguns problemas de nascença (malformações congênitas) podem causar infertilidade. Um exemplo importante é a criptorquidia (posicionamento dos testículos fora do escroto), que apesar da correção pode levar à infertilidade. Existem outros problemas como as hipospádias (mal posicionamento da uretra, que impossibilita a correta deposição do sêmen no fundo da vagina, impossibilitando a gravidez). Normalmente, são problemas verificados no exame físico do paciente e o tratamento é o específico para cada doença.

 

 

 

Genéticas:

As causas genéticas são importantes em pacientes que não tenham espermatozóides no ejaculado (azoospermia) ou que apresentem uma concentração inferior a cinco milhões de espermatozóides por mililítro de sêmen (oligozoospermia severa). Neste grupo, podemos encontrar uma causa genética em até 25% dos pacientes, tornando importante a pesquisa genética que é realizada através do cariótipo de banda G e da pesquisa de microdeleção no cromossomo Y. Outra causa importante é a agenesia congênita bilateral dos vasos deferentes que é determinada pela existência de uma mutação no gene causador da fibrose cística pulmonar e se manifesta clinicamente como azoospermia. O diagnóstico é feito no exame físico quando não se acham os ductos deferentes no cordão inguinal. A investigação é complementada com a pesquisa de mutação para fibrose císitica no casal, antes do tratamento.

Hormonais:

Alterações no comando hormonal da produção de espermatozóides levam à infertilidade. Essas alterações podem estar nos locais de produção dos hormônios (hipófise ou testículos) ou nos locais de ação destes hormônios (tecidos periféricos). Estas alterações são mais frequentes em pacientes com azoospermia e oligozoospermia severa e são pesquisadas com as dosagens de FSH, LH, Testosterona e Prolactina no sangue. O tratamento específico é possível para alguns casos e baseia-se na reposição hormonal.

Idiopáticas:

São chamadas de idiopática todas as causas que são desconhecidas até o presente momento. Classificamos como idiopática as causas cuja a investigação foi concluída e nenhuma alteração dos exames foi encontrada. Nestes casos é importante ressaltar que nenhum tratamento clínico empiríco é justificável devido à ausência de benefícios e, principalmente, a possibilidade de piora do quadro dependendo da medicação utilizada.

É a dilatação de veias testiculares devido ao refluxo de sangue. É a patologia mais comum diagnosticada em homens inférteis. O diagnóstico é realizado pelo urologista em um simples exame físico.
A varicocele é encontrada de 15% dos homens e não necessariamente está relacionada com infertilidade. Em homens inférteis a prevalência é de 30-40%. Nestes homens encontra-se mais comumente alterações seminais (de número, motilidade ou morfologia). A varicocele não tratada pode levar a um dano testicular progressivo, por este motivo homens com diagnóstico de varicocele podem se beneficiar da varicocelectomia (extração da veia dilatada). Casos de varicocele subclínica (diagnosticada por ultrassonografia) ou sem alterações dos parâmetros seminais devem ser avaliados criteriosamente, pois a intervenção cirúrgica pode não trazer nenhum benefício.

A Azoospermia é definida como ausência de espermatozóides no sêmen causada por obstrução das vias de saída dos espermatozóides (azoospermia obstrutiva – AO), por ausência de produção ou alteração da emissão (azoospermia não-obstrutiva – ANO).

Azoospermia Obstrutiva (AO):

A causa mais frequente de azoospermia obstrutiva é a vasectomia, existindo ainda outras menos comuns como a obstrução dos ductos ejaculatórios e a ausência congênita bilateral dos ductos deferentes (ACBVD). Nas azoospermias obstrutivas, a produção de espermatozóides está preservada e as vias de saída estão obstruídas. O diagnóstico é realizado no exame físico nos casos de vasectomia e ACBVD. Nos casos de obstrução do ducto ejaculatório, a análise seminal mostra um volume ejaculado abaixo dos valores normais acompanhado por um Ph ácido. O diagnóstico pode ser confirmado por várias formas, uma delas a deferentografia. O tratamento depende da causa. Na vasectomia, dependendo da avaliação de alguns fatores do casal, deve ser feita a reversão da vasectomia (vaso-vaso anastomose microcirúrgica) como primeira opção. Os resultados da cirurgia dependem do tempo da realização da vasectomia (melhor até 15 anos), da experiência do cirurgião e da técnica utilizada na cirurgia (com ou sem microscópio). A técnica recomendada é a microcirúrgica que utiliza o microscópio para auxílio na anastomose do deferente. Nos casos de falha na reversão da vasectomia, na impossibilidade de tratamento cirúrgico (ACBVD) ou da opção do casal por utilizar técnica de reprodução assistida, podemos recuperar espermatozóides, através de uma punção no testículo ou epidídimo, para ser utilizado em fertilização in vitro na técnica de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóides (I.C.S.I). A punção é um procedimento realizado com anestesia local no dia da captação dos oócitos da esposa.

Azoospermia Não-Obstrutiva (ANO):

As causas de ANO são defeitos no controle da produção (hormonal), problemas no próprio testículo determinando alterações na produção dos espermatozóides ou problema na emissão do sêmen (ejaculação retrógrada). Com exceção da ejaculação retrógrada, em todas as outras causas existe uma alteração na produção de espermatozoides, tornando o tratamento deste grupo de pacientes mais trabalhoso e complexo. A avaliação diagnóstica exige uma relação maior de exames que incluem avaliação hormonal, genética e eventualmente de exames de imagem. O tratamento depende da causa, porém com exceção da causa hormonal e da ejaculação retrógrada, o casal necessitará da utilização de I.C.S.I.. O primeiro passo para o tratamento de pacientes sem causa identificável ou tratável, é saber se no testículo existem espermatozóides para serem utilizados no laboratório. No momento não existem exames que revelem esse dado com certeza e segurança, tornando a exploração testicular para recuperação de espermatozóides necessária. A exploração ou mapeamento testicular pode ser realizada previamente ao tratamento, em ambiente de laboratório e associada à criopreservação (congelamento) de espermatozóides, se encontrados tornando possível o início do tratamento do casal com a certeza de existirem espermatozóides para o I.C.S.I. Outra forma é fazer a recuperação de espermatozóides conjuntamente ao tratamento, porém, nestes casos, é necessário informar ao casal que no caso de não se encontrarem espermatozóides, ou utiliza-se sêmen de doador para continuar o tratamento, ou perde-se todo o tratamento até então realizado. A exploração testicular é realizada em centro cirúrgico anexo ao laboratório de manipulação de gametas, sob anestesia local, associada à anestesia geral. Durante o procedimento, procura-se mapear o testículo na tentativa de encontrar um foco de produção de espermatozóides que serão utilizados para injetar os oócitos ou serem congelados para uso posterior. Em qualquer momento da realização da exploração testicular o material obtido após ser examinado no laboratório de manipulação de gametas é encaminhado para anátomo patológico para estabelecimento do padrão celular dos testículos e eventuais doenças associadas (neoplasia).

A idade da mulher por si só pode ser um fator de infertilidade.

Ao contrário do homem, que produz novos espermatozóides durante praticamente toda sua vida, a mulher nasce já com todos os óvulos com que contará durante toda sua vida reprodutiva.

Este estoque de óvulos é finito e um dia acaba. O fim dos óvulos se chama menopausa e acontece ao redor dos 48 anos, contudo, muitos anos antes disso, os óvulos começam a perder qualidade.

Depois dos 35 anos o potencial reprodutivo da mulher começa a diminuir. O estoque de óvulos é menor e sua qualidade também. Isto faz com que a obtenção de uma gestação seja mais difícil, principalmente depois dos 40 anos.

Os óvulos que não têm qualidade têm menos chances de gerar embriões. Quando gerados, estes embriões têm menor chance de implantação, maior chance de aborto e de anomalias genéticas como a síndrome de Down.

Atualmente, os especialistas em infertilidade aconselham que mulheres jovens que pretendem postergar a gestação para depois dos 35 anos, deixem parte de seus óvulos congelados, de maneira a garantir um bom potencial reprodutivo quando desejem ter seus filhos.

Para mulheres que já têm idade mais avançada e desejam engravidar, a melhor alternativa é a utilização de óvulos doados, técnica que possibilita as melhores chances de gestação, com baixa incidência de aborto e anomalias cromossômicas.

A histerossalpingografia é um exame radiológico que avalia a cavidade uterina e as trompas.

Neste exame, a mulher é colocada em posição ginecológica, coloca-se um espéculo vaginal e é introduzido no canal do colo do útero, um catéter. Por este catéter injeta-se contraste, que deve permear a cavidade uterina e as trompas. Se as trompas estão desobstruidas, o contraste “cai” na cavidade abdominal.

Durante a injeção do contraste, realizam-se radiografias da pelve que mostrarão a progressão do contraste e, pelas imagens geradas pelo contraste, é possível avaliar o útero por dentro e a situação das trompas.

Alterações na morfologia da cavidade uterina devem ser avaliadas com muito cuidado, já que este é o lugar de implantação do embrião. Alterações das trompas podem indicar que as mesmas não estejam funcionando adequadamente, o que pode levar à infertilidade.

Ao contrário do que se pensa, este exame apesar de incômodo, não deve provocar dor. Atualmente utiliza-se catéteres maleáveis no lugar de cânulas de metal e não há necessidade de pinçamento do colo uterino, procedimento que pode gerar cólicas importantes.

É um exame imprescindível na avaliação básica do casal infértil e deve ser realizado e avaliado por especialistas competentes.

São neoplasias (tumores) benignos originados das fibras musculares uterinas. São também chamados de fibromas. A maioria das mulheres com miomas não têm nenhum sintoma. Os sintomas estão associados à sua localização. Podem causar sensação de pressão abdominal e desconforto urinário, sangramento menstrual excessivo e cólicas menstruais.

Em geral os miomas não estão associados ao câncer e apenas 1% dos casos pode se transformar em leiosarcoma (câncer uterino).

Os miomas associados à infertilidade são aqueles que distorcem a cavidade uterina (local onde ocorre a implantação do embrião). Estes miomas podem também ser causa de abortos.

Recomenda-se a extração dos miomas que causam sintomas importantes e nos casos de infertilidade onde ocorrem alteração da anatomia da cavidade uterina. A cirurgia pode ser realizada por videolaparoscopia ou por laparotomia (cirurgia aberta), dependendo do tamanho e da localização do mioma.

Hidrossalpinge é o nome dado ao acúmulo de liquido dentro da(s) trompa(s). Normalmente ocorre quando existe obstrução da trompa devido à uma doença pré-existente como infecção pélvica ou endometriose.

Além da trompa estar afetada e não permitir a ocorrência da fecundação, o líquido acumulado pode prejudicar a ocorrência de uma gestação, mesmo que obtida através de uma fertilização in vitro.

O líquido pode “lavar” os embriões para fora da cavidade uterina ou interferir no fenômeno de implantação.

Os riscos do uso de tabaco para a saúde já são mais do que conhecidos. O fumo pode também afetar a fertilidade do casal.

Mulheres que fumam têm maior chance de apresentarem infertilidade e o tempo para alcançar uma gestação é maior, quando se compara com não fumantes. O impacto negativo em mulheres fumantes passivas é praticamente o mesmo que o visto em fumantes ativas.

O fumo pode provocar danos aos ovários, acelerando a chegada da menopausa, alterar os hormônios sexuais e afetar geneticamente os óvulos.

Ainda, o uso de cigarro está associado a maior taxa de aborto, gestação ectópica (fora do útero), parto prematuro e baixo peso ao nascer.

Mesmo em pacientes que estão realizando tratamento de fertilização in vitro, fumantes necessitam de mais medicamento para estímulo dos ovários, têm menos óvulos e menores taxas de implantação e gravidez.

Homens e mulheres que fumam devem parar pelo menos dois meses antes de começar as tentativas, seja em casa, seja para tratamento de fertilidade.

A obesidade pode diminuir as chances de um casal engravidar. Seja quando o casal está tentando em casa ou quando está passando por tratamento de fertilidade, estar acima do peso pode afetar as chances de sucesso na busca por um filho.

O metabolismo dos hormônios esteróides sexuais está alterado em mulheres obesas, o que pode provocar alterações ovulatórias (irregularidade menstrual) ou alterações de receptividade do útero, dificultando a implantação do embrião ou aumentando as chances de acontecer um aborto.

Ainda, mulheres obesas têm maior chance de desenvolverem complicações durante a gravidez como hipertensão e diabetes e a probabilidade de parto cesáreo também é maior.

Não devemos esquecer que alterações espermáticas são mais frequentes em homens obesos.  O tratamento da obesidade deve ser considerado como estratégia primaria pelos especialistas em fertilidade.

Menopausa precoce ou falência ovariana prematura é a interrupção da função ovariana antes dos 40 anos. Os ovários têm função reprodutiva (produção dos óvulos) e função endócrina (produção de hormônios).

Os sintomas da falência ovariana prematura são os mesmos da menopausa: irregularidade menstrual ou ausência de menstruação, calores, irritabilidade, insônia, secura vaginal, etc…  Existem diferentes causas para a menopausa precoce, mas muitas mulheres não encontram diagnóstico mesmo após investigação exaustiva. Existem causas autoimunes e causas genéticas (Síndrome de Turner e Síndrome do X frágil). Ainda, causa pode ser familiar. Tratamentos como rádio e quimioterapia também podem levar à falência ovariana.

Para diagnosticar a menopausa precoce, além da história clínica, exames hormonais podem ser realizados (AMHFSH, LH e estradiol) e também uma ultrassonografia.

Não há tratamento para a menopausa precoce, somente para seus sintomas e consequências. Em casos de sintomas importantes, indica-se a reposição hormonal.

Caso a mulher tenha desejo de engravidar, a alternativa será o uso de óvulos doados.

Depende do grau de sensibilidade da mulher. O exame mais incômodo é a histerossalpingografia (exame radiológico que utiliza contraste para avaliar a cavidade uterina e as tubas). De certo modo, se houver dor muito intensa que prejudique a realização do exame pode ser administrado medicamentos (analgésicos e anti-espasmódicos) antes da realização do mesmo. A qualidade do material e a experiência do profissional também ajudam para diminuir o incômodo e a ansiedade no momento do exame. Os tratamentos mais invasivos (como a FIV e a extração de espermatozoides) são realizados sob anestesia.
Todos os procedimentos apresentam riscos. Os principais riscos dos tratamentos de reprodução assistida são aqueles decorrentes da indução da ovulação: gestação múltipla (cerca de 20%) e a síndrome de Hiperestímulo Ovariano (cerca de 3%). Acidentes na punção ovariana para coleta de óvulos, como infecção, hematoma ou perfuração intestinal, apesar de possíveis, são muito raros de acontecer. O uso dos indutores da ovulação parece não aumentar o risco de câncer ovariano ou mamário. Além disso, não aumentam peso, pois são administrados por um curto período (cerca de 10 - 12 dias).
O risco de gestação múltipla depende do número de folículos maduros produzidos com a indução da ovulação nos tratamentos de baixa complexidade (como a inseminação intrauterina) ou do número de embriões transferidas na fertilização in vitro. O risco, geralmente, gira em torno de 20 a 25% dos tratamentos que conseguem engravidar.
A biópsia embrionária pré-implantacional pode rastrear e evitar a propagação de várias doenças genéticas, como a Síndrome de Down, o que aumenta a chance de um bebê saudável.
Sim, em muitos casos de forma irreversível, embora haja situações em que, uma vez concluído o tratamento, ocorra recuperação da função ovariana. Mas há a possibilidade de criopreservar óvulos, espermatozóides ou embriões antes de iniciar a quimioterapia.
Sim, a Fertilização In Vitro (FIV) está bem indicada para à solução gestacional, como também pode ser discutida a viabilidade da reversão da cirúrgica da laqueadura e vasectomia.
Sim, atualmente é possível ter um filho após a menopausa fisiológica, ou nos casos em que se verificou uma menopausa ou uma falência ovariana prematura. A alternativa para estes casos é a utilização de óvulos doados.
Os casais inférteis em que um ou os dois indivíduos são deficientes também podem se beneficiar das técnicas de reprodução assistida, por exemplo, uma lesão medular do homem. Neste caso, há métodos de obtenção do sêmen que nos permitem introduzi-lo na vagina. Se o sêmen estiver alterado, será necessário recorrer à inseminação artificial ou Fertilização In Vitro (FIV).
A infertilidade conjugal é um assunto do casal e, portanto, o problema deve ser compartilhado tanto pela mulher quanto pelo homem; no entanto, ainda hoje, comparecem à primeira consulta mulheres desacompanhadas, pois muitos homens pensam que a maternidade só é vivida do ponto de vista feminino. Felizmente, esta atitude está mudando e, cada vez mais, os casais compartilham por igual à ideia da descendência e dos inconvenientes que esta possa trazer.
O anonimato é o que mais preocupa os casais que, embora tenham aceitado plenamente esta técnica, procuram discrição. Também o estado de saúde dos doadores e a semelhança dos filhos é uma questão de interesse e preocupação.
Em reprodução assistida os programas de ajuda psicológica são fundamentais e, além disso, aumenta a autoestima e o êxito da gravidez.
Os tratamentos de reprodução assistida, nos últimos anos, têm se tornado mais acessíveis a um maior número de casais. Isto está acontecendo pela diminuição do custo dos medicamentos, dos instrumentais e insumos utilizados no laboratório, os quais são importados. A quantidade de medicamentos necessária para induzir a ovulação varia para cada mulher e, assim, o custo também varia muito. Além disso, a modalidade de tratamento necessária (mais simples ou mais complexo) também deve ser analisada na hora de pesar os custos. 70% dos casais precisam de tratamentos mais simples para engravidar.
Após iniciado o tratamento, o tempo médio de duração do tratamento é de 10 a 15 dias. Após este período, 15 dias depois é feito o teste de gravidez. Portanto, o tempo total é de 1 mês para termos o resultado do tratamento.
A chance de sucesso depende de alguns fatores como: etiologia da infertilidade, idade da mulher e tempo de infertilidade. Quanto maior for a idade da mulher, menor a probabilidade de gravidez e, assim, maior o número de tentativas necessárias para conseguir engravidar. Um raciocínio estatístico utilizado é: mulher entre 25 e 30 anos: 1 a 2 tentativas de FIV; 31 e 35 anos: 2 a 3 tentativas; 36 e 40 anos: 3 a 4 tentativas. Claro, que isto não é uma verdade absoluta. Há casais, que a esposa tem 40 anos e engravidam na primeira tentativa.
Foram feitos muitos estudos para verificar o efeito dos medicamentos hormonais utilizados para estimular a ovulação, e confirmou-se que, com exceção dos efeitos adversos da hiperestimulação ou da gestação múltipla, não há outros riscos para a mulher em tratamento, como câncer de mama ou de ovário.
Pelo Conselho Federal de Medicina o procedimento de escolha do sexo do embrião só é permitido nos casos de doenças ligadas ao sexo (indicação médica), vedada a escolha de sexo para balanceamento familiar ou apenas por desejo dos pais. A escolha do sexo do embrião é realizada utilizando técnicas de diagnóstico genético pré-implantacional, onde é demonstrado o cariótipo do embrião.
O nome correto desta modalidade de tratamento é cessão temporária do útero. Segundo a resolução CFM Nº2168/2017, tal modalidade é permitida no Brasil, desde que seja obedecida a seguinte situação: a mulher que cede o útero deve ser parente até 4º grau (mãe, filha, avó, irmã, tia, sobrinha ou prima) de um dos parceiros. Caso não seja possível atender esta exigência, o pedido deve ser submetido à parecer do Conselho Regional de Medicina.
Homens e mulheres solidários. Homens até 50 anos e mulheres até 35 anos. Também casais que já passaram por clínicas de reprodução assistida, quando terminam o tratamento, fazem doações. Além disso, a identidade do doador (a) não deve ser revelada e a clínica fica responsável por armazenar os documentos que comprovem a doação e a recepção dos gametas.
O casal receptor não pode escolher o doador (a) em hipótese alguma. A escolha é feita pela equipe médica, com base nas características físicas do casal (são obedecidas semelhanças físicas), o casal receptor recebe as informações das características físicas dos doadores escolhido pela clínica, e é o casal receptor que informa o seu desejo de receber ou não a doação.
O Conselho Federal de Medicina permite o uso de técnicas de reprodução assistida nestes casos, respeitando o direito a objeção de consciência por parte do médico.
Doar óvulos não significa esgotar a reserva dos ovários. Uma mulher nasce, em média, com dois milhões de óvulos e só ovula 400 ou 500 vezes durante a sua vida reprodutiva, em média de um óvulo por mês, onde é que vão parar os restantes? Para produzir um óvulo de forma natural e espontânea, a natureza precisa recrutar dezenas, que são selecionados até que só um deles chega à fase final da ovulação. No total dos ciclos perdem-se centenas de óvulos, que são eliminados porque o corpo não pode reciclá-los e reutilizá-los. Com a administração dos hormônios, estimula-se o desenvolvimento daqueles óvulos que não conseguiriam, de forma natural, chegar à fase final de maturidade.
É um procedimento realizado em centro cirúrgico de curta permanência, localizado em clínicas de reprodução assistida. A anestesia é endovenosa (sedação). O procedimento dura cerca de 15 a 20 minutos e os óvulos são coletados através de punção vaginal guiada por ultrassonografia. O procedimento é bem tolerado e a paciente retorna às suas atividades habituais no dia seguinte.

O Conselho Federal de Medicina (CFM), para evitar gestação de múltiplos, determina o número máximo de embriões a serem transferidos/vez, de acordo com a idade da paciente:

- Até 35 Anos: 2 embriões.

- 36 a 39 Anos: 3 embriões.

- 40 Anos ou mais: 4 embriões.